Livro: Imagens da Organização
Autor: Gareth Morgan
Capítulo III: A Natureza Entra em Cena: As Organizações Vistas como Organismos.
Resenha:
O autor inicia o capítulo ressaltando que a idéia de organização baseada em organismos vivos se deu a partir dos problemas levantados na teoria mecanicista. A partir dessa linha, surgiram novos entendimentos de como a organização funciona e que fatores influenciam seu sucesso e bem estar.
Em seguida o autor nos remete ao início do século, época em que o processo de motivação não era considerado nos estudos organizacionais e nos traz os relatos de estudos, como aquele dirigido por Elton Mayo nos anos 20 onde ficou evidenciado que as atividades no trabalho são influenciadas pela natureza do ser humano, assim como pelo planejamento das organizações.
Morgan cita ainda a teoria motivacional de Maslow, que divide os seres humanos por grau de necessidades. Influenciados por essas idéias surgiram novas opções à burocracia. Percebeu-se que existiam maneiras mais eficazes de motivar os trabalhadores, de acordo com suas necessidades pessoais, sem precisar pagar mais dinheiro a eles.
Ainda sobre as necessidades humanas, entende-se que ao administrar qualquer sistema social, deve-se considerar a interdependência de fatores técnicos e humanos.
Continuando o estudo do capítulo nos deparamos com uma série de conceitos importantes sobre essa teoria.
O primeiro e talvez mais importante conceito apresentado refere-se à organização como “Sistema Aberto”. Isso quer dizer que além de preocupar-se com o planejamento de tarefas e produção na organização, existe a necessidade de se preocupar com o meio ambiente, ou seja, o mercado em que seu produto ou serviço será introduzido e também seus concorrentes. De fato acontece como em um sistema vivo. O corpo humano depende tanto do que acontece dentro dele como do que acontece ao seu redor.
Outros dois conceitos apresentados são a Equifinalidade e a Homeostase. A equifinalidade nada mais é que o alcance de um objetivo a partir de diferentes meios. Visto que em uma organização a produção depende de trabalhadores diferentes entre si nada mais natural que o desenvolvimento de maneiras diferentes para um mesmo fim. Já a homeostase refere-se ao equilíbrio das diversas partes existentes em um sistema e da capacidade de auto-regulação para atingir este equilíbrio.
Em seguida o outro fala da “Teoria Contingencial”. Essa teoria defende que para cada tipo de organização existe uma administração mais eficaz. Para empresas que atuam em ambientes mais estáveis, onde os produtos e serviços precisam ser padronizados cabe a utilização de uma administração mais fechada (mecanicista). Em contra partida, em ambientes mais imprevisíveis, onde as mudanças podem garantir o sucesso da organização, cabe a utilização de administrações mais abertas.
Posteriormente Morgan nos esclarece sobre como adaptar as organizações para um funcionamento mais eficaz. Ele explica que para essa adaptação é necessário primeiramente identificar a empresa. Questões como em que ambiente a empresa esta inserida, se existe ou não uma estratégia definida e se existe, qual é essa estratégia, que tipo de tecnologia é utilizada, qual a cultura difundida dentro desta organização e quais são as filosofias administrativas dominantes devem ser consideradas nessa identificação. A partir das respostas é possível diagnosticar o que esta adequado a organização e o que precisa ser modificado.
O autor traz ainda uma teoria bastante critica chamada de “População-Ecologia”. Seus pesquisadores defendem a idéia de que a sobrevivência de uma organização depende da seleção natural, ou seja, independente da estratégia ou da adaptação dessas organizações fatores ambientais ou externos podem determinar o fracasso da mesma.
Outra teoria apresentada, conhecida como “Ecologia Organizacional”, considera que diferentemente do que é proposto pelas teorias População-Ecologia e Contingencial, as organizações e o meio ambiente não são partes distintas, pelo contrário, são elementos de um sistema mais complexo. De acordo com essa teoria, conforme as organizações de desenvolvem o ambiente se desenvolve também, e que as mudanças no ambiente geram mudanças nas organizações.
Por fim, o autor nos apresenta os pontos fortes e as limitações dessa metáfora.
Como pontos fortes, ele destaca que a comparação de uma organização com um sistema vivo, deixa mais claro o entendimento que como ela funciona ou se comporta e que a busca pela sobrevivência ao invés da busca pelo atingimento de metas torna a organização mais ampla e com mais chance de sucesso. Além disso, a metáfora nos mostra que sempre há mais de uma opção ou maneiras de administrar e evidencia a importância dos relacionamentos inteorganizacionais.
Uma das limitações destacadas pelo autor refere-se ao fato de que ao enxergar a organização como sistema vivo e acreditar que sua sobrevivência depende dês fatores externos, os colaboradores talvez não se sintam tão importantes ou responsáveis pelo sucesso. Outra limitação descrita diz respeito ao fato de que em um organismo vivos as partes do sistema fechado estão em total harmonia, diferente do que acontece em uma organização, onde as partes não são em geral tão unificadas. Finalmente, existe ainda o perigo dessa metáfora se tornar uma ideologia fazendo com que as pessoas se tornem recursos.
Fica claro a partir do estudo deste capitulo que não existe maneira ou teoria administrativa que garanta o sucesso de uma organização. Todo e qualquer conhecimento cientifico é válido. Toda teoria apresenta limitações, portanto devem ser adaptadas com idéias de outras teorias a fim de se obter o sucesso da organização.
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